21 dezembro 2010

Considerações iniciais e musicais sobre 2010



Então é Natal , o ano termina e nasce outra vez.... Nããããão! Não vamos falar do cd 25 de dezembro de Simone. Vamos tratar da música produzida em 2010. Aqui a intenção não é listar os tops ou melhores, nem decidir nada. Talvez possamos sugerir produções e/ou discutir ideias e sensações.
2010 foi marcado pelo lançamento de várias caixas. Gal Total, Caixa Preta (Itamar Assumpção), Os Anos Dourados de Dolores Duran, Salve Jorge (Ben)!, etc. Estes tipos de relançamentos são sempre importantes, pois facilitam a vida dos colecionadores, além de serem (geralmente) interessantes no quesito estético.

Cantores como Maria Bethânia, Zizi Possi, Simone, Zeca Pagodinho, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Célia, Beto Guedes e Emílio Santiago mostraram que mesmo com mais tempo de estrada ainda continuam na ativa e ainda são capazaes de produzir belos trabalhos.

Aqueles que se consagraram nos anos 90 também nos presentearam com belos novos trabalhos. São estes: Moska, Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Adriana Calcanhotto (Partimpim), Pedro Luís E A Parede, Lenine, Zeca Baleiro, etc.

Por fim, a nova geração também somou de alguma forma. Muitas surpresas agradáveis, como Tulipa Ruiz e Thiago Pethit, além de artistas não-estreantes que confirmaram mais uma vez seu talento. Rodrigo Maranhão, Roberta Sá e Vanessa da Mata são alguns desses nomes.

Da produção internacional irei me abster de comentar, já que sou leigo no assunto, mas meus colegas de postagens certamente serão capazes de mencioná-la. Enfim, esse é o post que aproveita para trazer o blog de volta à ativa e em breve colocaremos nossas impressões de 2010, numa espécie de Top5 de cada um dos 3.

08 julho 2010

Rapte-me camaleoa: Novidades duncanianas



Há 6 anos, Zélia Duncan lançava "Eu me transformo em outras". O disco é uma incursão da cantora e compositora nos repertórios de outras cantoras que a influenciaram, como Aracy de Almeida, Carmen Miranda, Elizeth Cardoso, Cristina Buarque e Ná Ozzetti. De início achei estranho, porque era algo avesso a tudo que Zélia tinha feito até então. Contrariei o costume e consegui viajar na proposta de Zélia. O trabalho não é uma mera seara de regravações. São pérolas que saem do baú afetivo da intérprete.

Esse disco lhe rendeu um disco de ouro e o Prêmio Tim de Melhor Cantora de MPB e com ele, passou a ser colocada no patamar das grandes cantoras da atualidade. Muito embora para mim, ela sempre estivesse nesse rol. Mas enfim, sua obra ganhou uma dimensão maior.

Pensando nisso, trago nesse post, três novas incursões de Zélia:

A Vida É Ruim - Gravada para a trilha do Filme O Bem Amado. Trata-se de uma inédita de Caetano Veloso. A música remete aos clássicos de Nora Ney e Dalva de Oliveira nos anos 40 e 50. A cantora consegue entrar no clima e faz dessa uma das melhores gravações já feitas por ela até então. Zélia soube aproveitar o luxuoso presente que é uma inédita do mestre Caetano.

Pra Sempre Não É Todo Dia - Gravada no novo cd de Oswaldo Montenegro (Canções de Amor). Esta música foi originalmente registrada por Zizi Possi em 1987 no LP Aldeia Dos Ventos. A versão original traz uma Zizi perfeita nos graves, conseguindo sobrelevar o arranjo típico dos anos 80. A nova versão de Zélia, em dueto com o compositor, foge a proposta da versão original e tem um clima mais suave e mais interioriano, que condiz com as propostas dos últimos trabalhos de Oswaldo.

Tiro Ao Álvaro - Mexer em clássico de Elis Regina é sempre uma árdua tarefa. Zélia já gravou "O Rancho Da Goiabada" e "Atrás da porta", anteriormente. E muito bem por sinal. Desta vez, o clássico de Adoniran ganha uma aura mais cool no cd Adoniran 100 Anos. O clima da gravação me remete à releitura de "Na Hora Da Sede" no disco Sortimento, de 2001.

Além desses regristros, em 2010, a cantora já explorou Dolores Duran, Cássia Eller, Yoko Ono e Luiz Gonzaga. A cada dia que passa, Zélia expande mais o seu background, atesta sua versatilidade e faz jus ao rol das grandes cantoras brasileiras.

04 julho 2010

E o nome dela é Gal


Eu ouço Gal Costa desde criança, por influência de meu pai. Com o passar do tempo, eu fui aumentando meu background musical e na adolescência, me deparei com uma Gal num ritmo mais lento de produção e passei a implicar com a cantora. Só vim redescobrir sua obra há uns 2 anos, graças a um amigo virtual que é vidrado nela e passei a escutá-la novamente.

Sim, Gal Costa tem influência de João Gilberto e Dalva de Oliveira. Mas seu registro é muito próprio e inaugura o canto moderno no Brasil. É de um ecletismo assustador, que inspirou muitas cantoras. Junto a Elis Regina e Maria Bethânia, forma (talvez) o trio de cantoras mais importantes da história da MPB.

Quem me conhece, sabe que quando eu cismo com alguma cantora, eu quero ter tudo. Assim foi com Cássia, Zélia, Marisa, etc... Com Gal, não é diferente. Tenho tentado me inteirar de tudo que ela já fez e me assusta a qualidade, a variedade, os conceitos, as metamorfoses. Cada disco é uma concepção totalmente diferente.

Cantoras como Angela RoRo, Cássia Eller, Zélia Duncan, Teresa Cristina, Adriana Calcanhotto, Fernanda Takai e Maria Gadú já confessaram a admiração por Gal Costa. Mas elas, no que diz respeito ao canto, não se situariam no clã iniciado por Gal, mas ainda assim reforçam o quão importante foi o trabalho da baiana para a MPB como um todo.

Caetano em um tratado recente disse que Baby Consuelo (nos Novos Baianos) já era uma "Galzinha". E de fato, a gente percebe essa semelhança ao compararmos o discos de Gal em 1969 com os registros de Baby nos discos de Novos Baianos. A mesma semelhança é percebida com a baiana Marcia Castro. O Dj Zé Pedro a considerou como uma mistura de Gal 69 com Marília Medalha. Não conheço Marília para ratificar o que disse o Dj, mas confesso que na primeira vez que assisti a um show de Marcia, me remeteu a Baby dos Novos Baianos, que me lembra Gal.

Marisa Monte, fã declarada de Gal, me remete a uma Gal do LeGAL e do FaTAL. Pelo menos, o seu encontro com Arto Lindsay no DVD Mais me dá essa ideia. Tem um aspecto soturno em algumas produções de Marisa que me faz suscitar essa relação. Ressalto que La Monte conseguiu uma autonomia tão grande no meio musical, que com a produção de Gal estando mais lenta, tomou quase que totalmente para si, a referência de modernidade e ecletismo, principalmente das cantoras denominadas mezzo-sopranos.

Seguindo a ordem dos discos galcostianos, o universo do disco Índia, me leva ao universo brejeiro e singelo do disco de estreia de Vanessa da Mata, mas a mato-grossense apresenta um aspecto pop que talvez seja contemplado no Cantar, disco de 1974 que serve de referência para cantoras como Bebel Gilberto, por exemplo.

O repertório buliçoso de Gal no disco Tropical é semelhante ao que Roberta Sá faz, sem a mesma energia. Antes de entrar no Fama, Roberta declarava Marisa como sua cantora preferida, porém com as constantes comparações, ela parou de mencionar. Partindo do pressuposto que Marisa é a principal influência de Roberta, há de se ressaltar que na concepção artística da potiguar existe um repertório brejeiro que nos remete mais a Gal 79 que a Marisa Monte.

Outras cantoras, como Jussara Silveira, Ná Ozzetti e Vânia Bastos podem ser classificadas como seguidoras de Gal. Jussara é a cantora que talvez mais lembre Gal Costa, por causa do timbre. É confundível, mas a (falsa) baiana tem muita propriedade. Assim como Gal, Jussara também dedicou um disco a Caymmi. Ná Ozzetti admite a admiração ser fã de Gal e gravou "Sua Estupidez" em homenagem a ela. A outra paulista, Vânia Bastos já confessou a importância que o disco Água-Viva de 1978 teve em sua vida.

De Zizi Possi a Tulipa Ruiz, passando por Leila Maria e Tetê Espíndola, Gal ainda se faz presente como referência para as cantoras brasileiras. Não está mais tão atuante como gostaríamos, mas é com certeza um patrimônio da música nacional.

Ainda este ano, será lançada uma caixa com a discografia de Gal na Universal Music. É pra mim, a sua melhor fase. Para não me estender mais com leigas opiniões, encerro esse post com um vídeo de Gal em uma das suas mais perfeitas interpretações:

19 maio 2010

Mateus Sartori, nome de grande cantor


Ao longo de sua história, o Brasil sempre teve mais mulheres destinadas a interpretação e mais homens destinados a composição. Não é à toa que temos o título de "País das cantoras". Quase todo compositor tem uma intérprete mais marcante: Aracy de Almeida para Noel Rosa, Gal Costa para Caetano Veloso, Cássia Eller para Nando Reis, etc. O que torna comum sucessivos 'songbooks' na discografia de nossas cantoras.

Dorival Caymmi é um dos compositores mais homenageados. Cantoras como Gal Costa, Nana Caymmi, Rosa Passos, Jussara Silveira, Olivia Hime já dedicaram um álbum inteiro ao compositor baiano. Cada uma com uma abordagem muito peculiar e com certeza, o de Gal Costa em 1976 é o mais conhecido.

É óbvio que o Brasil também tem grandes cantores, como João Gilberto, Ney Matogrosso, Cauby Peixoto, Emílio Santiago, Milton Nascimento, etc, mas são raros os voltados quase que exclusivamente para a interpretação. Foi procurando cantores com essa perspectiva, que conheci o trabalho do paulista Mateus Sartori.

Indo de encontro a predominância feminina dos tributos a compositores, Mateus prestou em 2007, um tributo a Dorival Caymmi (morto em 2008) em seu segundo cd Dois De Fevereiro. Cláudio Nucci lançou em 2004, o cd Ao Mestre com Carinho, mas o ex-Boca Livre, na totalidade da sua obra é mais compositor.

Em Dois De Fevereiro, Sartori se desvencilha do aspecto brejeiro que a maioria dos intérpretes imprime, e canta Caymmi com um aspecto mais pungente. Não que não haja brejeirice no seu disco, mas não parece ser o foco principal. A escolha do repertório surpreende pela escolha de temas menos conhecidos e mesmo os mais conhecidos ganham releituras tão particulares que acabam parecendo inéditos. A sua interpretação de Quem Vem Pra Beira Do Mar nada deve a gravação de Aracy de Almeida. Outros momentos excepcionais são Dora, Beijos Pela Noite e Sargaço Mar.

Com este disco, Mateus Sartori soma ao time de grandes intérpretes masculinos dessa geração, como Marcos Sacramento, Fênix, Rubi, Moyseis Marques e Carlos Navas. Além da discografia oficial do cantor, que inclui também o cd Todos Os Cantos de 2006, indico também a participação dele no Cd 100 Anos de Ataulpho Alves, na faixa Meu Lamento. E para finalizar, um vídeo do show sobre Caymmi:

16 maio 2010

Ivete Sangalo Em Duetos



A Universal Music colocou nas lojas, a coletânea "Ivete Sangalo - Duetos" em CD e DVD. Em pouco mais de 10 anos de carreira, a cantora baiana já dividiu os vocais com um leque imenso de artistas da música brasileira e estrangeira.

Dona de uma das carreiras mais sólidas na MPB, Ivete já gravou com Maria Bethânia, Roberto Carlos, Gilberto Gil, Beth Carvalho, Jorge Aragão, Juan Luis Guerra, Demônios Da Garoa, Rosa Passos, etc... Ela já deu muitas provas da sua versatilidade, ainda que isso não fique tão claro na sua discografia oficial.

'Duetos' consegue retratar um pouco dessa versatilidade de Ivete, mas peca na obviedade de ser quase que uma mera miscelânea dos DVDs ''Pode Entrar'', "Mtv Ao Vivo" e "Ao Vivo No Maracanã". Para quem tem os três projetos oficiais da cantora, não vale a pena comprar este.

Melhor seria se incluíssem os duetos de Ivete em "Cidade do Samba", "Beth Carvalho canta o Samba da Bahia", "Um Barzinho, Um Violão - Sertanejo", etc... Assim, o DVD seria um prato cheio de momentos raros e inusitados da carreira da cantora.