29 dezembro 2009

Os Grandes Lançamentos de 2009.


















Chegou o momento de fazer a retrospectiva musical do ano. Nela não comentarei os fatos mais marcantes da música, mas farei a minha lista de lançamentos que mereceram destaque nesse ano.


CDs:

1. Tua - Maria Bethânia
O CD romântico lançado pela Abelha Rainha, pra mim, foi o melhor do ano. Com músicas de Paulo César Pinheiro, Adriana Calcanhoto, Moska, Chico César, Roque Ferreira, entre outros, Bethânia nos brinda com todo romantismo do seu canto. Um disco sublime!

2. Na Veia - Simone
Depois de alguns trabalhos conturbados, Simone aflora leve, pop e encantadora nesse trabalho inédito. Com certeza, um dos melhores discos da carreira de Simone. Acompanhando o lançamento do CD, a turnê "Em Boa Companhia" trás Simone de volta aos grandes palcos do Brasil, exemplo do Teatro Castro Alves, onde a muito tempo ela não cantava. Simone exalou muito frescor em 2009!

3. Encanteira - Maria Bethânia
Nesse trabalho Bethânia canta músicas que festejam sua fé. Com quatro canções de Roque Ferreira, além de Vanessa da Mata, Roberto Mendes, Jaime Alem e Vander Lee. Esse CD festivo, aproxima Maria Bethânia ainda mais das suas raízes afro baianas.

4. Peixes, Pássaros, Pessoas - Mariana Aydar
Mariana Aydar foi aprovada com louvor em seu segundo CD. Com repertório majoritariamente inédito, sendo sete composições de Duani, Mariana começa a criar identidade e universo próprio. "O Samba Me Persegue", "Pras Bandas de Lá", "Tá?" e a incrível "Peixes" são alguns destaques desse CD produzido pelos antenados Duani e Kassin. Esse CD foi um dos melhores lançamentos do ano.

5. Canibália - Daniela Mercury
Depois de muito atraso, Daniela Mercury coloca nas lojas o seu antropofágico álbum "Canibália". Com uma miscelânia de ritmos, esse CD destaca declarada homenagem a Carmem Miranda e traz Daniela cantando o melhor do samba da 'sua' terra. Um trabalho que sinaliza a Daniela do futuro.

Correndo por fora, não posso deixar de falar da revelação do ano: Maria Gadú.

6. Maria Gadú - Maria Gadú
Paulistana de 22 anos, dona de uma voz marcante e com composições belíssimas, Maria Gadú foi o nome do ano. O CD lançado em julho pela SomLivre com composições próprias e algumas regravações, como "A História de Lilly Braun" de Chico Buarque e "Baba" de Kelly Key, alcançou projeção nacional e vendeu bastante até o momento. "Altar Particular", "Bela Flor", e a estourada "Shimbalaiê", são algumas das canções que estão na boca do povo.


DVDs:

1. Luz Negra Ao Vivo - Fernanda Takai
Depois do sensacional CD "Onde Brilhem os Olhos Seus", que aborda o repertório de Nara Leão, Takai põe no mercado o registro primoroso do Show "Luz Negra". Com cenas em preto e branco e um belo cenário, esse DVD capta toda delicadeza da primeira turnê solo da vocalista do Pato Fu. Disparado o melhor DVD do ano!

2. Dentro do Mar Tem Rio Ao Vivo - Maria Bethânia
Mesmo sendo lançado muito depois do programado, o DVD onde Maria Bethânia canta as águas doces e salgadas, registra todo o encanto e beleza de uma das suas mais belas turnês. Um lindo presente de Bethânia para o seus súditos.

3. Pra Se Ter Alegria - Roberta Sá Ao Vivo no Rio
O DVD que passeia pelo repertório dos dois primeiros CDs de Roberta Sá, "Pra Se Ter Alegria" soa coerente com o título: Alegre. Com participação ao vivo de Hamilton de Holanda, Pedro Luis, Marcelo D2 e mais a luxuosa participação de Chico Buarque, Ney Matogrosso, Antônio Zambujo e Yamandú Costa, esse DVD expõe o crescimento e desenvoltura de Roberta no palco e a coroa como uma das melhoras cantoras dessa década.

4. Moinho Ao Vivo
O Moinho volta pra Lapa pra gravar o seu primeiro e precoce DVD. Com só um CD de estúdio lançado, o Moinho gravou no Circo Voador todo o balanço do trio composto por Emanuelle Araújo, Lan Lan e Toni Costa. Precoce ou não, o DVD tem pegada, repertório bacana e dá credibilidade a essa suingada banda.

5. Multishow Ao Vivo - Vanessa da Mata
O primeiro DVD da cantora matogrossense vem um pouco tarde, mas rebobina seus grandes sucessos nesses 7 anos de carreira fonográfica. Gravado em Paraty, o DVD "Jardins e Perfumes de Sim" prioriza o repertório do último CD "Sim" e traz Vanessa cantando "As Rosas Não Falam" de Cartola e "Um Dia... Um Adeus" de Guilherme Arantes.


Que 2010 venha repleto de grandes lançamentos e que a boa música Brasileira consiga quebrar as barreiras radiofônicas e adentrar a casa de todos os brasileiros.

17 dezembro 2009

O Preferido das Novas






















Em 2005, me deparei com uma linda canção de um tal de Rodrigo Maranhão, desconhecido pra mim até então... A música era Caminho das Águas, gravada por Maria Rita no CD Segundo, que contou ainda, com mais duas canções desse compositor: Recado e Mantra.

Um ano depois, ou menos, ouvindo o CD Braseiro da Roberta Sá, esse nome volta a figurar na ficha técnica, agora com a canção Olho de Boi. Não resisti e fui pesquisar sobre o dono de tantas belas músicas e para minha surpresa, descubro que o Rodrigo Maranhão é Carioca e não Nordestino, como eu suspeitava, pelo tom ruralista de muitas de suas canções, participa de uma banda muito suingada chamada Bangalafumenga e é querido entre as novas e algumas veteranas da MPB, como Zélia Duncan e Verônica Sabino.

Seu maravilhoso talento compondo, me remete muito ao incrível Lenine, pela força e pelo olhar atento para o mundo. Lançado em 2007, seu primeiro CD solo, Bordado, é delicado, profundo e esteve entre os melhores lançamentos daquele ano. Mesmo Rodrigo não sendo um cantor de voz muito expressiva e técnica perfeita, a emoção das suas composições, tira qualquer má impressão deixada pelo seu leve canto.

Hoje, Rodrigo Maranhão se impõe como um dos melhores compositores surgidos nessa década, sendo gravado por muitas cantoras dessa nova geração da MPB. Maria Rita, Anna Ratto (ex Anna Luisa), Roberta Sá, Ryta de Cássia e Fernanda Abreu, são algumas que já declararam paixão por esse compositor que o Brasil precisa conhecer. Não só pelas músicas brejeiras, mas também, pelo balanço das suas antenadas letras urbanas. Enfim, um compositor multi-facetado que sempre nos brinda com deliciosas canções.

Baixe AQUI a compilação Elas Cantam Rodrigo Maranhão AQUI o CD Bordado.

No vídeo abaixo Roberta Sá e Rodrigo Maranhão cantam Samba de Um Minuto, de sua autoria, lançado por ela no CD Belo Estranho Dia Pra Se Ter Alegria.

14 dezembro 2009

Alucinação : Mais Do Que Parece (2009)



Eu conheci o trabalho de Lucina, acompanhando as carreiras de Ney Matogrosso e Zélia Duncan. Estes são seus intérpretes mais famosos e freqüentes. Só que cada um com uma vertente diferente da compositora mato-grossense. Lucina, em seu momento solo, apresenta uma discografia pequena, mas significativa e intensa.

Lucina, em 2009, apresenta o + Do Que Parece , um disco totalmente voltado ao seu encontro com Zélia Duncan. Um disco pequeno, mas terminantemente coeso e coerente.

Fazer um disco com apenas 9 canções dá muito mais trabalho do que possa parecer. Não é todo mundo que consegue fazer isso, pois há pelo menos dois perigos: o de não conseguir ser suscinto o suficiente e/ou a capacidade de escolher mal as faixas e fazer o disco parecer imenso de tão chato. Quantas vezes a gente se vê diante de um disco de 9 ou 10 faixas que parecem ter 20, 30 e ainda assim não nos dizem nada? Não é o caso de Lucina, que bisa com louvor esta capacidade já expressa no A Música Em Mim, de 2006. Este tipo de medida me remete aos discos clássicos da MPB, como Fruto Proibido, de Rita Lee e Realce, de Gilberto Gil, que com suas poucas faixas, conseguiram tornar-se históricos.

Se Zélia Duncan, no seu DVD Sortimento Vivo, diz que Lucina é seu lado hippie. Com este disco, podemos tranquilamente dizer que Zélia faz Lucina exercer seu lado pop. As composições da dupla já foram gravadas por nomes, como Verônica Sabino, Belô Velloso, Daúde, Carlos Navas, Marcos Assumpção e Nico Rezende. Agora ganha um registro definitivo, uma espécie de songbook desta parceria.

+ Do Que Parece apresenta 9 canções, 6 destas inéditas, com adesões de Alzira Espíndola, Anelis Assumpção e Luz Marina. A ausência de Zélia Duncan talvez seja proposita, mas não compromete o disco. Destaques para as regravações de Sem Suspiros (lançada por Verônica Sabino) e Olhos de Marte (lançada por Marcos Assumpção, em dueto com a Lucina, inclusive) e para as inéditas Hora Marcada e Meu Amor, Você Sabe. A homenagem ao ídolo e gato de estimação Tom Zé, em canção homônima e o encerramento com Fim, só tornam o disco mais gostoso de ouvir.

Uma dica bacana é colocar de maneira randômica, esse disco misturado às canções que a Zélia gravou da dupla e brincar com a semelhança vocal, a poesia e musicalidade destas duas.

Nos vídeos, o encontro de Lucina com Zélia Duncan em Meu Amor, Você Sabe e uma versão de Lucina para Eu Não Sou Eu, gravada pela Zélia, no disco Pré-pós-tudo-bossa-band de 2005.



10 dezembro 2009

Cássia deixou herdeiras? O legado musical de Miss Eller.


Cássia Eller , um dos maiores nomes da música brasileira, nasceu a 10 de dezembro de 1962. Logo, completaria 47 anos se hoje estivesse viva. Morreu no auge da sua carreira, com seus melhores discos, maiores públicos, melhores cachês, enfim melhor momento. Deixou uma lacuna imensa na música brasileira. Conseguiu a glória de se inventar. Era uma roqueira brasileira típica, que cantava de um tudo. Itamar Assumpção, Marisa Monte, Riachão, Cazuza, Nirvana e Edith Piaf passaram pelo seu repertório.

Passados 8 anos da sua morte, outras cantoras, como Zélia Duncan e Ana Carolina herdaram parte do seu público. Claro que já existia quem acompanhasse todas simultaneamente, principalmente no caso da Zélia Duncan, que começou quase que simultaneamente a amiga de Vrasília. E claro que quando se trata de grandes cantoras, não levamos somente na base do "Rei Morto, Rei Posto". Mas nos últimos anos têm surgido algumas cantoras, que pra mim, ao menos, lembram bastante ou relativamente a Cássia.

Antes de mais nada, o intuito dessa listagem que aqui seguirá, não é eleger a "Nova Cássia Eller" ou questionar se estas cantoras terão talento suficiente pra substituir sua história na MPB. Claro que aquelas cantoras que levam adiante esses títulos. Mas não é esse o intuito. Amo tanto as cantoras, em geral, que não consigo ter esse tipo de raciocínio. Sempre espero que elas consigam a glória de deixar a sua marca na música brasileira. Então vamos lá!

01) Maria Gadú - Cantora paulista, radicada no Rio de Janeiro, aposta da Som Livre em 2009, teve uma ascensão invejável neste ano. Sendo muito bem executada, Maria Gadu, que é compositora também, já tem 4 músicas dos seus discos rolando em trilhas sonoras da Rede Globo. Chamou a atenção de todos no Som Brasil Paralamas, onde cantou "Lanterna Dos Afogados", que inclusive foi gravada pela Cássia Eller. A comparação se dá pela postura no palco, que remete a Cássia em "Violões"(1996), "Acústico Mtv"(2001), o visual e diria até pela timidez, apesar de toda histeria de seu público.

02) Márcia Castro - Baiana, vencedora e indicada de importantes prêmios da Música Brasileira, Márcia também se destacado na nova seara de cantoras brasileiras, por apresentar um repertório incomum. Ecletismo de primeira, Marcia tem um gosto incrível pelo desconhecido, pelos chamados "Malditos da MPB", assim como a Cássia Eller. No seu repertório transgressor, tem Tom Zé, Itamar Assumpção, Jorge Mautner, Belchior, Sérgio Sampaio e temas obscuros de Cartola e Chico Buarque. A Marcia, assim como disse o DJ Zé Pedro, me remete a "Gal 69" e eu concordo. E eu que já pude ver o show do seu cd "Pecadinho" 3 vezes, penso que a postura dela no palco, aquela agressividade, irreverência, somada a uma doçura escondida, me remete a Cássia do show "Com Você... Meu Mundo Ficaria Completo".

03) Márcia Morelli - Paulista, Márcia Morelli lançou em 2006, de forma independente, seu primeiro cd autoral "Tempo.Com". Nunca tive a oportunidade de assisti-la, logo o que direi dela, virá apenas da audição do cd. Há uma semelhança vocal indiscutível! As composições da Márcia lembram a fase da Cássia com o Nando Reis, se aproximam bastante disso, logo não é difícil de imaginar suas músicas com a Cássia. Pena que o tempo foi tão curto e cruel e não nos permitiu isso.

04) Thaís Gulin - Curitibana, assim como Leminski, Thais também passeia por um repertório transgressor. No seu primeiro cd de 2007 tem Arrigo Barnabé, Chico Buarque, Zé Ramalho, Otto, Zeca Baleiro e Anelis Assumpção. A sonoridade obscura do seu disco é o que talvez me remeta a Cássia Eller, embora Thais seja mais associada a Marisa Monte, pelo canto. Participou do programa Mosaicos da TV Cultura em homenagem a Cássia e cantou "Nada Vai Mudar Isso" e "Eu Queria Ser Cássia Eller". Ficou bonito!

05) Marry Martim - Paulista, Marry foi caloura do Raul Gil e através deste, conseguiu gravar o seu primeiro disco. Logo é de se esperar um monte de covers. Não comprei, nem baixei pra ouvir esse disco por inteiro, mas me chegou uma gravação dela pra "Como 2 e 2" e impossível não remeter a Cássia Eller. Pena que se desperdiçou em uma apresentação que foi motivo de piadas no Programa "Ídolos", ainda no SBT.

06) Andréa Martins - Baiana, surgida na extinta banda Canto Dos Malditos Na Terra do Nunca. Não conheci o trabalho da banda e nem da Andréa, pra dizer a verdade. Mas ao ouvi-la em "Luz Dos Olhos", a forma de cantar, talvez tenha me remetido a Cássia. Talvez tenha sido somente pela música ter sido gravada muito bem pela Eller em 2001.

Cássia Eller foi a maior cantora surgida nos últimos 20 anos, para Rodrigo Faour. E para mim também. Cássia criou um novo modo de fazer rock no Brasil. Fez uma salada musical brasileira. E ainda que não fosse tecnicamente perfeita, cantava tudo perfeitamente bem. Samba, Rock, Pop, Balada, Blues, qualquer coisa que viesse, ela encarava. Uma cantora que só evoluiu durante sua breve carreira, mas que conseguiu fincar com louvor seu nome na história da música brasileira. E talvez por criar esse novo conceito de fazer disco, de fazer rock, é que a gente consiga associar uma outra cantora de universo totalmente diferente a ela.

Baixem AQUI uma Playlist com canções dessas cantoras, pra vocês poderem comentar melhor. De quebra, duas homenagens a Cássia. Uma por Di Mostacatto (Best-Seller) e outra por Zélia Duncan (Mãos Atadas) e um vídeo pouco conhecido da Cássia mandando "Vida Boa" (Armandinho E Fausto Nilo).




08 dezembro 2009

O Fino E Confortável Sabor Do Gesto



Antes de mais nada, perdoem-me falar sobre o
Pelo Sabor Do Gesto somente agora, quase duas semanas de tê-lo visto duas noites seguidas. De início, talvez estivesse digerindo ainda as emoções provocadas por ele, depois por falta de criatividade mesmo. Mas enfim, vamos lá!

Zélia Duncan chegou aqui em casa numa época em que a família não se mostrava tão aberta ao que vinha acontecendo na MPB. Lembro de ter ouvido pela primeira vez o disco de 1994 "Zélia Duncan" (Leia Catedral) no dia que meu pai comprou o rádio novo da casa. Esse episódio já tem 10 anos e o rádio continua o mesmo (ainda que com algumas muitas limitações), a admiração pela artista só aumentou e a cantora, ao menos pra mim, só evoluiu.

Em 2009, Zélia Duncan lançou o mais novo trabalho de inéditas, após um jejum de 4 anos desde o último e ótimo Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band. Neste novo disco produzido pelas ótimas mãos de John Ulhôa e Beto Villares, Zélia reafirma seu talento de intérprete, regravando os ídolos Rita Lee e Itamar Assumpção, por exemplo, bem como apresenta a qualidade e versatilidade de suas composições e abre o leque para novos parceiros. O cd passeia por baladas, folk, rock, entre outros estilos, sem que a marca da intérprete se perca.

O show homônimo agracia o público com a possibilidade de conhecer TODAS as canções desse novo trabalho, somados a algumas poucas canções dos discos anteriores. O barato desse novo show é indiscutivelmente o repertório desse novo cd e as canções até então inéditas na voz da Zélia, como Felicidade (Luiz Tatit), Defeito 10: CedoTardar (Tom Zé), I Love You (Roberto Carlos). Dentro do repertório do cd, destacam-se Pelo Sabor Do Gesto (Versão sobre canção de Alex Beaupain) , Todos Os Verbos (Parceria com Marcelo Jeneci) e Se Um Dia Me Quiseres (Parceria com Zeca Baleiro). Eu que já pude assistir os shows Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band e Sortimento Vivo, penso que este é o melhor show da Zélia até então. A direção, figurino, iluminação e acima de tudo o setlist. Tudo muito bem bolado, pensado e costurado.

Lembro de ter lido um jornalista que comparou o show Pelo Sabor Do Gesto em termos de beleza e musicalidade ao Maré da não menos interessante Adriana Calcanhotto em 2008. Eu concordo plenamente e espero que diferente do show da Adriana, a tour se estenda por mais tempo e finalize com a gravação de um DVD, que retrate fielmente a beleza e o sabor desse show. Sendo assim, quando chegar na sua cidade, não perca a oportunidade de ver.

Abaixo os vídeos que apresentam dois momentos que destaquei logo acima

Felicidade (Luiz Tatit)



Pelo Sabor Do Gesto (Alex Beaupain / Versão: Zélia Duncan)

06 dezembro 2009

A popularidade de Maria Gadú















Em 1999, surgia no Brasil uma nova cantora, com voz marcante, letras próprias e atitude. Sua primeira música de trabalho (Garganta) entrou na trilha sonora de uma novela global e a partir daí foi um sucesso arrebatador que dura até hoje. O seu nome? Ana Carolina!

Dez anos depois, surge uma cantora, de 22 anos, voz marcante, letras próprias... e por incrível que pareça, essa menina já emplacou duas músicas (Shimbalaiê e Linda Rosa) em trilhas globais e virou uma febre. Os alternativos, os burgueses, os populares e principalmente os gays: Todos ouvem Maria Gadú!

Essa cantora tem um visual bem masculinizado e atrai bastante moçoilas para os seus Shows. Basta ela pisar no palco que a histeria começa. Foi difícil não comparar o início de carreira dessas duas cantoras, não só pelas coincidências, mas também pelo público que arrebatam. Ana Carolina ficou muito famosa com o público GLBT, justamente por cantar coisas como: "Foi eu que bebi e comi a Madonna". Gadú ainda não usou letras tão provocativas no seu trabalho.

A propaganda do CD de Gadú aparece o tempo todo nos comerciais da SomLivre, as músicas tocam bem nas duas novelas que fazem trilhas (Cama de Gato e Viver a Vida) e as pessoas só comentam sobre ela. Analisando esse "boom", eu me pergunto se a Globo não quer fazer dela a nova Ana Carolina, já que a imagem da Ana ficou desgastada depois da sua excessiva exposição nas produções da Rede Globo. E como será que ela vai direcionar essa popularidade toda? Ana Carolina deu uns tropeços na carreira depois de tamanho sucesso. Será que com Maria Gadú vai ser diferente?

É esperar pra ver!



04 dezembro 2009

A antropofagia de Daniela

















A inquieta e camaleônica Daniela Mercury lançou no mês passado, no mercado Brasileiro, o tão esperado CD Canibália, onde mistura várias influências que regem sua carreira, além de belíssimas regravações.

No começo, eu fiquei com o pé atrás com esse CD, pela demora de ser lançado e por não gostar de algumas músicas que vazaram na internet. Logo depois do susto e das notícias desencontradas, me deparei com um trabalho bem estudado, bem produzido e delicioso de ouvir.

O trabalho já inova na maneira como é apresentado ao público: 5 Capas diferetes, com ordens diferenciadas das faixas. Uma forma de provocar sensações variadas nos ouvintes.

E o CD gira em torno do universo de Carmem Miranda. Seja nas regravações, como 'Tico Tico no Fubá', em citações e até na foto de uma das capas do CD.
Sempre fazendo misturas e olhando pro novo, Daniela junta nesse CD o R & B, Rap, Reggae, Samba, com doses de Mambo e Baticum Afro-Baiano.

'Benção do Samba' é um medley lindo, bem arranjado e que dá um frescor em músicas já batidas (Na Baixa do Sapateiro, Samba da Minha Terra e Samba da Benção). Em 'Oyá Por Nós' divide o vocal com a ensolarada Margareth Menezes. Mesmo achando que 'Preta', em parceria com Seu Jorge, merecia uma repaginada, já que a gravação foi feita a dois anos atrás. Ainda assim, a deliciosa música de protesto casa bem com o CD. Com participação da família, a inédita 'Cinco Meninos' é a mais tocante canção desse album. Outro boa surpresa é 'A Vida é Um Carnaval', um manifesto à alegria que Daniela sempre pregou.

Fazer uma parceria póstuma com Carmem Miranda em    'O Que é Que a Baiana Tem', em ritmo de Twist, mostrou muita ousadia e coragem. Ponto pra ela!
A insossa 'This Life is Beautiful', parceria com o bombado Wyclef Jean, soa banal e sem graça. A única música dispensável do projeto.

E é dessa maneira, cada vez mais buliçosa, que Daniela vai se distanciando do batido Axé Music e sinalizando o seu futuro.

Canibália marca um novo tempo na carreira dessa grande cantora.

Veremos!

P.S: Vale lembrar que Canibália foi o último trabalho do grande produtor Ramiro Mussotto em vida.

02 dezembro 2009

Festival De Verão 2010 : Micareta No Parque De Exposições





Ontem (1º/12) saiu a tão esperada grade de atrações do Festival De Verão Salvador 2010 . Alguma surpresa? Não, nenhuma. O Festival De Verão tornou-se uma Vitrine Pré-Carnaval. Houve um tempo em que o mesmo Festival era um tanto eclético, já tendo trazido atrações como Kid Abelha, Zélia Duncan, Titãs, Los Hermanos, Rita Lee, Maria Rita, Lulu Santos, Alcione e até o Chico Buarque, por interveção do genro Carlinhos Brown já pôs os pés naquele palco. As próprias atrações internacionais não são das mais aguardadas. Salvo ano passado que trouxe a Alanis Morissetti.


Enfim, vamos a grade de atrações:


PALCO PRINCIPAL

Quarta-feira (20.01) – NX Zero, Jorge e Matheus, Chiclete com Banana, Jammil e Uma Noites, Parangolé.

Quinta-feira (21.01) – Banda Eva, Os Paralamas do Sucesso, Ivete Sangalo, Aviões do Forró, Marcelo D2
Sexta-feira

(22.01) – Carlinhos Brown e Daniela Mercury, Caetano Veloso, Asa de Águia, Charlie Brown Jr, Victor & Leo, A Zorra.

Sábado (23.01) – Tomate, Claudia Leitte, Akon, Revelação, Psirico.


BOTECO DO SAMBA

Quarta-feira (20.01) – Pixote, Nosso Ritmo, Samba di Banda, Leandro Sapucaí

Quinta-feira (21.01) – Diogo Nogueira, Edil Pacheco, Bambeia

Sexta-feira (22.01) – Arlindo Cruz, Nelson Rufino, Bossa do Samba, Dhi Ribeiro

Sábado (23.01) – Revelação, Mariene de Castro, Fora da Mídia


CONCHA ACÚSTICA

Quarta-feira (20.01) – Jau, Semente da Paz, Adão Negro, Cidade Negra, Margareth Menezes

Quinta-feira (21.01) – Detonautas, Jay Vaquer, Alex Góes, Enio e a Maloca

Sexta-feira (22.01) – Márcia Castro, Vania Abreu, Mallu Magalhães, Ana Cañas

Sábado (23.01) – Bahia Garage Band, Márcio Mello, República


UNIVERSITÁRIA

Quarta-feira (20.01) – Seu Maxixe, Saia Rodada, Arreio de Ouro, Namoro Novo

Quinta-feira (21.01) – Ed Bala, Limão com Mel, Desejo Menina, Cavalo Doido

Sexta-feira (22.01) – Banda Pegação, Cavaleiros do Forró, Magníficos, Marco e Márcio

Sábado (23.01) – Ébano, Cangaia de Jegue, Estakazero, Fred e Gustavo


Claro que não podemos nos iludir com a idéia de que o Axé Music teria de ser limado da grade de atrações. A Bahia consagrou o movimento e ele não pode ser excluído. O que infelizmente acontece é que o Festival tem dado espaço em excesso aos artistas locais deste gênero e pouco tem possibilitado ao grande público assistir artistas de outros estados, conhecer novos. Este ano, mais uma vez, os palcos alternativos se mostraram mais interessantes para o que se chama de Festival. Este ano, palcos como Boteco Do Samba e Concha Acústica darão aos espectadores a oportunidade de assistir a shows de artistas que nunca vieram ou quase nunca vêm a Salvador, como Ana Cañas , Jay Vaquer, Diogo Nogueira, Leandro Sapucahy e até os locais, como Aléx Goes e Marcia Castro.
Outra coisa que tem chamado atenção é o provável critério de seleção dos artistas da grade. Seria popularidade? Cachê? Ou o Charlie Brown Jr, Tomate, A Zorra, Banda Revelação estão em alta ainda? Se estiverem, realmente eu devo estar muito por fora do que tem acontecido.


É isso!