19 maio 2010

Mateus Sartori, nome de grande cantor


Ao longo de sua história, o Brasil sempre teve mais mulheres destinadas a interpretação e mais homens destinados a composição. Não é à toa que temos o título de "País das cantoras". Quase todo compositor tem uma intérprete mais marcante: Aracy de Almeida para Noel Rosa, Gal Costa para Caetano Veloso, Cássia Eller para Nando Reis, etc. O que torna comum sucessivos 'songbooks' na discografia de nossas cantoras.

Dorival Caymmi é um dos compositores mais homenageados. Cantoras como Gal Costa, Nana Caymmi, Rosa Passos, Jussara Silveira, Olivia Hime já dedicaram um álbum inteiro ao compositor baiano. Cada uma com uma abordagem muito peculiar e com certeza, o de Gal Costa em 1976 é o mais conhecido.

É óbvio que o Brasil também tem grandes cantores, como João Gilberto, Ney Matogrosso, Cauby Peixoto, Emílio Santiago, Milton Nascimento, etc, mas são raros os voltados quase que exclusivamente para a interpretação. Foi procurando cantores com essa perspectiva, que conheci o trabalho do paulista Mateus Sartori.

Indo de encontro a predominância feminina dos tributos a compositores, Mateus prestou em 2007, um tributo a Dorival Caymmi (morto em 2008) em seu segundo cd Dois De Fevereiro. Cláudio Nucci lançou em 2004, o cd Ao Mestre com Carinho, mas o ex-Boca Livre, na totalidade da sua obra é mais compositor.

Em Dois De Fevereiro, Sartori se desvencilha do aspecto brejeiro que a maioria dos intérpretes imprime, e canta Caymmi com um aspecto mais pungente. Não que não haja brejeirice no seu disco, mas não parece ser o foco principal. A escolha do repertório surpreende pela escolha de temas menos conhecidos e mesmo os mais conhecidos ganham releituras tão particulares que acabam parecendo inéditos. A sua interpretação de Quem Vem Pra Beira Do Mar nada deve a gravação de Aracy de Almeida. Outros momentos excepcionais são Dora, Beijos Pela Noite e Sargaço Mar.

Com este disco, Mateus Sartori soma ao time de grandes intérpretes masculinos dessa geração, como Marcos Sacramento, Fênix, Rubi, Moyseis Marques e Carlos Navas. Além da discografia oficial do cantor, que inclui também o cd Todos Os Cantos de 2006, indico também a participação dele no Cd 100 Anos de Ataulpho Alves, na faixa Meu Lamento. E para finalizar, um vídeo do show sobre Caymmi:

16 maio 2010

Ivete Sangalo Em Duetos



A Universal Music colocou nas lojas, a coletânea "Ivete Sangalo - Duetos" em CD e DVD. Em pouco mais de 10 anos de carreira, a cantora baiana já dividiu os vocais com um leque imenso de artistas da música brasileira e estrangeira.

Dona de uma das carreiras mais sólidas na MPB, Ivete já gravou com Maria Bethânia, Roberto Carlos, Gilberto Gil, Beth Carvalho, Jorge Aragão, Juan Luis Guerra, Demônios Da Garoa, Rosa Passos, etc... Ela já deu muitas provas da sua versatilidade, ainda que isso não fique tão claro na sua discografia oficial.

'Duetos' consegue retratar um pouco dessa versatilidade de Ivete, mas peca na obviedade de ser quase que uma mera miscelânea dos DVDs ''Pode Entrar'', "Mtv Ao Vivo" e "Ao Vivo No Maracanã". Para quem tem os três projetos oficiais da cantora, não vale a pena comprar este.

Melhor seria se incluíssem os duetos de Ivete em "Cidade do Samba", "Beth Carvalho canta o Samba da Bahia", "Um Barzinho, Um Violão - Sertanejo", etc... Assim, o DVD seria um prato cheio de momentos raros e inusitados da carreira da cantora.

15 maio 2010

Rufus: Encantadoramente Triste...


Já faz um tempo - quanto, não sei ao certo - que ouvi o Rufus Wainwright pela primeira vez. Foi madrugada dessas onde eu fico acordado assistindo TV, que "The Art Teacher" foi um dos clipes que me chamou a atenção em meio aos diversos que passaram naquele dia na MTV. Na mesma hora, anotei o nome do artista e da música no celular para que no dia seguinte (aliás, no mesmo dia) quando eu lembrasse, fosse procurar a faixa pra baixar! Desde 30/11/2009 estou ouvindo essa canção, que fala da história de uma garota que cresceu apaixonada pelo seu professor de artes, e a minha curiosidade sobre o trabalho e a vida desse artista só aumenta.
Desde a primeira audição, percebi uma tristeza, uma tensão e acima de tudo, um sofrimento meu saudosista na música do Rufus. Ele é filho de cantores e músicos folk, que se divorciaram quando ele ainda era uma criança, passou grande parte da vida com a mãe, e o fato de ser gay assumido desde jovem foi tópico que se tornou uma barreira na relação com os pais. Começou a tocar piano aos seis anos de idade e aos 13 já fazia turnês com sua irmã Martha Wainwright que também é cantora e compositora. Aos 14 anos, Rufus foi estuprado no Hyde Park, em Londres depois de ser levado de um bar por um homem. Pensando que seria um passeio romântico com um homem atraente, o cantor se tornou celibatário por sete anos após o incidente e afirma que só sobreviveu porque fingiu ser epilético simulou um ataque.
Em meio a isso tudo, Ruz começou a se interessar por ópera durante a sua (meio) conturbada adolescência. E isso é muito evidente no meio de seus discos e composições, afinal, várias de suas músicas têm uma grande influência erudita. Aliado a isso tudo, ele também se tornou um entusiasta de performistas como Édith Piaf, Al Jolson e Judy Garland. E essas influências eruditas somadas à admiração por artistas que indiretamente viveram e mostraram suas felicidades e tristezas através do seu canto e da sua arte, são pontos fundamentais nessa imagem densa, inquieta, pra dentro e apaixonada que ele constrói como artista.
E no seu último disco, "All Days Are Nights: Songs For Lulu" lançado em 5 de Abril de 2010, Rufus está mais "pra dentro" ainda... Todas as músicas são interpretadas ao piano sem nenhum instrumento adicional, revelando assim toda uma atmosfera triste em que a vida do artista se transformou ao longo do ano de 2009, onde o câncer de sua mãe - a cantora canadense Kate McGarrigle (1946 – 2010) - se agravou e acabou a matando em janeiro deste ano de 2010. Resumindo, a tristeza desse grande cantor, compositor e artista é o charme dele! A música do Wainwright faz a gente olhar pra dentro e faz a gente sentir e lembrar de dores da vida. Como não conheço toda a obra dele, não posso falar se existem momentos de felicidade na música dele, mas, se tiver vai só somar a essa "depressão" gostosa de se ouvir, afinal, hoje em dia poucos unem inteligência, boa voz e boa capacidade de dominar um instrumento... Rufus Wainwright está nessa seleta lista.
 
Até a próxima... Até sempre!

05 maio 2010

O que falta na carreira de Mariene?

Mariene de Castro é uma cantora soteropolitana e dona de uma das melhores vozes da Bahia. Quente como a terra que canta, a cantora dos sambas buliçosos e com forte referência afro religiosa, despontou no cenário baiano nos meados de 2003 em shows em parceria com Roque Ferreira e Jota Veloso.

Hoje, sete anos depois, Mariene já possui na sua discografia, o CD "Abre Caminho", que ganhou o Prêmio TIM de Música de Melhor Álbum Regional no ano de 2005 e o DVD e CD "Santo de Casa - Ao Vivo", que será lançado no dia 29/05 no Teatro Castro Alves. Além de participações nos DVD's de Beth Carvalho, Daniela Mercury e Samba Social Clube.

Sempre lotando casas de shows por onde passa e sendo amadrinhada por ícones como Beth Carvalho e Daniela Mercury, Mariene ainda não conseguiu expandir o seu talento, carisma e voz para fora da Bahia. Nos dias de hoje, onde qualquer jovem cantora vira um "boom", não entendo o que está faltando para essa grande artista atingir o resto do país, principalmente o Sudeste. Será que é má vontade das gravadoras, selos e produtoras ou Mariene está errando a mão em alguma coisa? As vezes penso que os dois.

Enquanto busco uma resposta ou acontecimento mais concreto, vou observando seus passos e acredito que o Brasil ainda vai se deleitar muito com seu forte timbre e seu gingado contagiante. Mais um produto de ótima qualidade que a Bahia exporta!!

O Brasil precisa ouvi-la! Fica a Dica!

Baixe AQUI o CD Abre Caminho.