08 julho 2010

Rapte-me camaleoa: Novidades duncanianas



Há 6 anos, Zélia Duncan lançava "Eu me transformo em outras". O disco é uma incursão da cantora e compositora nos repertórios de outras cantoras que a influenciaram, como Aracy de Almeida, Carmen Miranda, Elizeth Cardoso, Cristina Buarque e Ná Ozzetti. De início achei estranho, porque era algo avesso a tudo que Zélia tinha feito até então. Contrariei o costume e consegui viajar na proposta de Zélia. O trabalho não é uma mera seara de regravações. São pérolas que saem do baú afetivo da intérprete.

Esse disco lhe rendeu um disco de ouro e o Prêmio Tim de Melhor Cantora de MPB e com ele, passou a ser colocada no patamar das grandes cantoras da atualidade. Muito embora para mim, ela sempre estivesse nesse rol. Mas enfim, sua obra ganhou uma dimensão maior.

Pensando nisso, trago nesse post, três novas incursões de Zélia:

A Vida É Ruim - Gravada para a trilha do Filme O Bem Amado. Trata-se de uma inédita de Caetano Veloso. A música remete aos clássicos de Nora Ney e Dalva de Oliveira nos anos 40 e 50. A cantora consegue entrar no clima e faz dessa uma das melhores gravações já feitas por ela até então. Zélia soube aproveitar o luxuoso presente que é uma inédita do mestre Caetano.

Pra Sempre Não É Todo Dia - Gravada no novo cd de Oswaldo Montenegro (Canções de Amor). Esta música foi originalmente registrada por Zizi Possi em 1987 no LP Aldeia Dos Ventos. A versão original traz uma Zizi perfeita nos graves, conseguindo sobrelevar o arranjo típico dos anos 80. A nova versão de Zélia, em dueto com o compositor, foge a proposta da versão original e tem um clima mais suave e mais interioriano, que condiz com as propostas dos últimos trabalhos de Oswaldo.

Tiro Ao Álvaro - Mexer em clássico de Elis Regina é sempre uma árdua tarefa. Zélia já gravou "O Rancho Da Goiabada" e "Atrás da porta", anteriormente. E muito bem por sinal. Desta vez, o clássico de Adoniran ganha uma aura mais cool no cd Adoniran 100 Anos. O clima da gravação me remete à releitura de "Na Hora Da Sede" no disco Sortimento, de 2001.

Além desses regristros, em 2010, a cantora já explorou Dolores Duran, Cássia Eller, Yoko Ono e Luiz Gonzaga. A cada dia que passa, Zélia expande mais o seu background, atesta sua versatilidade e faz jus ao rol das grandes cantoras brasileiras.

3 comentários:

  1. amo essa flexibilidade que só ZD tem...

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  2. Zélia é uma artista coerente, madura em todos os sentidos, equilibrada e uma competência respeitável. Acho um orgulho ter na nossa mpb uma artista do naipe de Zélia Duncan. Ela merece todo o nosso respeito.

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